01 fevereiro 2006

Bill Gates e a lanterna mágica

O Sr. Bill Gates veio a Portugal para ser condecorado pelo Presidente da República. Muito bem, as obras que o Sr. Bill Gates apoia e os milhões que doa merecem efectivamente o nosso respeito. O dinheiro é dele, e poderia, à imagem de outros, apenas apoiar partidos políticos ou oferecer viagens e iates aos amigos.
O Sr. Bill Gates veio a Portugal para participar na conferencia de líderes, muito bem. É sem dúvida o líder mundial de maior sucesso nos últimos 25 anos, o que tem a dizer será sempre do maior interesse para qualquer um.
O Sr. Bill Gates vem a Portugal dizer que a Microsoft vai ajudar a formar 1 milhão de Portugueses. Veio a Portugal para assinar 18 protocolos de parceria, inseridos na ultima panaceia para salvar Portugal, o muito apregoado Choque tecnológico. Mal, mesmo muito mal.

Neste aspecto, o Sr. Bill Gates apenas está a fazer marketing. O Sr. Bill Gates vai apenas confortar ainda mais a posição da sua empresa, que detém o quase monopólio do software das Tecnologias de Informação. Que até é contestado pela União Europeia. Que ele o faça, nada de mais legítimo. A empresa é dele, e em bom líder bate-se em todos os campos. Agora, que o governo Português apoie e encoraje, rendendo-se por completo ao domínio da Microsoft, é lamentável. Demonstra inequivocamente a incapacidade dos nossos governantes, a começar pelo Sr. José Sócrates e por todos os que o apoiam, em inovar, assumir riscos, criar riqueza. Limita-se apenas a comprar tecnologia ao maior produtor mundial, com os empréstimos da União Europeia. Não vai produzir nada de novo. Como desde há vinte e cinco anos a esta parte.

No domínio das TI, existem muitas alternativas à Microsoft. O autor destas linhas utiliza o sistema operativo Mac OS X e o processador de texto Apple Works. Mas, existem outras alternativas, certamente melhores ainda, como o software Open Source, baseado sobre sistema operativo Linux. Software gratuito, modificável à vontade. Países muito mais ricos que Portugal, como a nossa vizinha Espanha, Suíça, Suécia e Dinamarca, entre outros, já adoptaram o Linux e software Open Source, no ensino e na administração central. Com economias substanciais para o erário público. Economias na ordem dos milhões de euros.

O desafio, choque ou o que quer que seja, seria de colocar os portugueses ( universidades e politécnicos) a produzir software alternativo à Microsoft, a conceber, instalar e assegurar a manutenção e formação de soluções de TI nas nossas escolas, universidades e na nossa administração. A vender software a preço acessível a todos os portugueses. Isso sim, seria um choque tecnológico.

É demagógico pensar que alguém de 35 ou 40 anos, desempregado do sector têxtil, calçado ou construção, após um curso de seis meses para saber utilizar a Internet e um processador de texto, tenha mais hipóteses de arranjar trabalho ou possa contribuir para criar mais riqueza. Então, os que saem da universidade com cursos superiores, irão fazer o quê? Plantar alfarrobas?

Só para reflexão : Quase todos os portugueses sabem utilizar um telemóvel; Os portugueses são o povo da Europa que mais utilizam o telemóvel. Apesar disso, Portugal fabrica e vende telemóveis? Não. Criou-se riqueza com a utilização massiva dos telemóveis? Penso que não, bem pelo contrario, acentuou-se a miséria.

NDS.

1 Comentários:

Às 01:43 , Anonymous Anónimo disse...

Não estamos a falar de desenvolvimento, nem de educação, nem de investimento. Estamos a tratar de negócio! Compra de soft e hardware que daqui a um ano ou dois estará completamente desactualizado.
http://desgovernos.blogs.sapo.pt/

 

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